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O Passageiro

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Eu sou homem feito e descrente de certas coisas, sou cobrador de uma linha de autocarros da minha família e vou relatar a única experiencia que tive com espíritos. 


Certa vez num dia normal, começamos a pegar um passageiro, já de idade avançada, ele não tinha parentes próximos, sei por que nos tornámos amigos pois ele era um senhor muito simpático.

 

Todos os dias no mesmo local, ele esperava a condução para passear pela cidade já que não tinha ninguém e sentia-se muito sozinho. 
 

 

Foi assim durante cinco anos, todos os dias ele estava na mesma paragem, no mesmo horário, nos esperando... 
 

Ate que um dia ele não veio, logo demos por falta de sua presença. 


Uma senhora que o conhecia nos deu a péssima notícia de que ele havia falecido. 
 

Certa madrugada estava a fazer a limpeza do autocarro como de rotina e ao chegar ao autocarro avistei uma figura no escuro de cabeça baixa no último banco. 


Pensando que era um passageiro apressado, disse-lhe que o autocarro não iria sair naquele momento. Ele não me respondeu. 
Quando ele se levantou em minha direcção eu fiquei sem acção, pois ele não tinha uma forma humana normal... tinha o rosto coberto por um capuz que não dava para ver seus traços. 


Eu comecei a ir para trás, quando dei por mim ele já estava na minha frente agarrou no meu braço com as mãos frias… queria gritar e não conseguia. 
 

Então levantou o rosto e olhou nos meus olhos. Na mesma hora reconheci a figura que ali me assombrara; era o meu amigo, aquele que apanhava o autocarro... 

 

Ao reconhece-lo os meus olhos lacrimejaram. Ele suspirou e desapareceu num piscar de olhos. Fique de boca aberta! 
 

Fui até casa dele no outro dia e a vizinha conto-me que na hora da morte ele lamentou por não se ter despedido de mim, o que me fez pensar que ele viera visitar-me com o intuito de se despedir de mim, já que fui o seu único amigo em vida.
 

 

Desde então acredito em espíritos e que querem algo connosco.
 

Espero que meu relato sirva como experiencia para alguém.

 

Enviado por: Araim Ribeiro, (Brasil)

Submetido em: 4 de Março de 2009

 


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