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Despedida Inesquecível

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Li o relato do Manuel de Coimbra e lembrei de algo que ainda hoje não me gosto de me lembrar porque assustou-me bastante. Como o Manuel eu também nasci e vivi em França há meia dúzia de anos resolvi vir para Portugal. Como era costume enquanto vivia em França as férias escolares eram passadas em Portugal. Sou da Zona da Costa da Caparica que no verão é bastante agradável pelas suas praias etc. 

Assim tinha 16 anos quando chegou a tal véspera do meu retorno para Paris. Para essa minha última noite em solo português, juntava os amigos e lá íamos nós para uma noite de restaurante e discoteca. E essa noite foi mais uma. Fui para casa eram 3h da manhã. Estava cansadíssima e o voo para Paris ia ser às 09h, logo só me restavam poucas horas para dormir. 

Com isto deito-me e começo a ouvir o som de uns pés a andar pelo quarto, para ser mais clara era como se os pés rastejassem sobre a alcatifa. Acendi logo a luz da mesa-de-cabeceira pensando que se tratasse ainda do barulho da discoteca que tivesse a provocar alguma agitação nos meus ouvidos pelo que resolvi apagar a luz de novo. 

E eis que o barulho continua e cada vez sentia os passos aproximarem-se mais da cabeceira e foi com o coração super acelerado que acendi a luz, levantei-me e resolvi abrir os estores do quarto e verificar se por acaso as folhas da palmeira ao vento não teriam esse barulho. Mas não eram as folhas da palmeira a causa desse estranho barulho, simplesmente porque para alem de não haver vento estavam muito pequenas para se tocar. 

Decidi ligar o rádio até que o sono me levasse. E após alguns minutos a ouvir música pensei que se tratasse de uma impressão pelo que apaguei a luz e desliguei o rádio. Mais valia ter ficado de luz acesa a ouvir música e lamentar mais tarde a factura da electricidade porque o susto que apanhei ainda hoje me arrepia. Ouço então os tais passos a aproximarem francamente da cabeceira da cama e sinto um calor enorme aproximar-se de mim cada vez, sinto um peso em cima do corpo até que sinto o calor mesmo em cima do meu rosto. 

Por incrível que pareça gritei pela minha mãe que, garantidamente, tem um sono muito leve e que afirma com toda a serenidade que não me ouviu gritar. Não consegui ficar no quarto e corri para a porta cheia de medo e ainda me vi aflita para a abrir porque tinha sempre o hábito de trancar a porta e com o pânico atrapalhei-me. Nunca mais consegui voltar a dormir nesse quarto e quando lá entro sinto o quarto muito frio. 

Nunca encontrei explicação nenhuma para aquilo. Garanto que o vivi por impossível que me seja poder explicar cientificamente o que ali se passou. 

A casa foi construída de raiz quando ainda era campo e praia a bem dizer e não tenho conhecimento que outrora lá houvesse uma casa. E hoje quando vou a casa dos meus pais aquele que era o quarto de férias de que eu tanto gostava passou a ser um quarto estranhamente frio onde não consigo estar muito tempo. Sempre que empresto a o meu apartamento a familiares para férias e que tenho de ir dormir a casa dos meus pais não sou capaz de dormir naquele quarto mesmo que esteja cheia de sono. O susto foi muito grande.


Não acredito que se tivesse tratado de um 'espírito' do além porque quanto a isso sou muito céptica mas se alguém me disser que se tratava de uma pessoa que faça viagens astrais e que estivesse no meu quarto aí seria capaz de acreditar embora acha muito mal que através desse método possam assustar tanto os outros.


Naturalmente, que não desejo tal experiência a ninguém e fico grata ao meu bom senso que me fez fechar os olhos enquanto tudo aconteceu senão nem sei que imagem poderia ter ficado gravada na minha memória e que trauma poderia ter provocado em mim.
 

 

Enviado por: Clara, (Portugal)
Publicado em: 26 de Maio de 2009


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